Passei muito tempo lamentando acontecimentos passados, querendo, desejando que não tivessem passado.
Passei muito tempo com medo de viver e me limitei a apenas existir, deixei de lado o meu caderninho preto onde escrevia meus desabafos e tranquei-me junto aos meus medos e incertezas dentro de mim mesma.
Parei de usar os meus óculos de grau porque todo mundo falava que não combinava com o meu rosto.
E por fim, parei para pensar um pouco em mim mesma, para entender o que havia de errado. parei para pensar no meu excesso de responsabilidade e no que realmente me importava. Eu sei que eu não sou a melhor pessoa do mundo, mas também não sou a pior, nem mesmo quando sou egoísta ou quando estou com raiva de alguém.
Não posso mais deixar de lado minhas importâncias porque os outros querem que eu faça isso, eu não sou mais uma criancinha, muito menos um fantoche. Não posso me impor limites absurdos se nem mesmo o céu é um limite.
Não posso mais deixar que mais um texto escorra por entre os meus dedos se escrever é uma das coisas que mais gosto de fazer.
Não quero mais ter medo dos meus fantasmas e nem de arriscar nada.
Passei a escrever a caneta para que a minha escrita seja eterna para alguém, ao menos que esse alguém seja eu mesma. Serviu para que eu adquirisse uma maior confiança em mim.
Entendi que preciso me aceitar, porque se eu mesma não o fizer, ninguém mais vai.
Depois de algum tempo passado, voltei a usar o meu óculos, mesmo que já estivesse fraco. Passei tanto tempo aceitando o que todo mundo me falava que eu estava mais para uma esponja do que para um filtro. Sensível e manipulável.Quieta e tímida demais.No escuro.
Por fim, deixei que novos ares me fizessem companhia e dei um fim a todas as coisas que me seguravam, peguei meus óculos fracos, meu caderninho e a caneta … E tornei a escrever.
-M
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