quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013



   "Brigáva-mos" muito devido as brincadeiras que fazia com ela, até que ela ficou doente e moribunda. A vontade que tive foi de adoecer junto a ela, como um namorado que ama sua namorada.
  Suas feiçōes ficaram apagadas e sua voz ficou rouca, seus olhos não brilhavam mais. Era hora da sua despedida , já não tinha mais forças para falar e então uma frase se fortaleceu, saindo por sua boca:
  - Eu te amo !
  E então ela fechou os olhos e se foi ...
  Naquele instante, o desespero tomou conta de mim, senti uma pontada no coração e minha memória remeteu-me há um ano atrás ... 1894, quando eu perguntei se ela não chamaria minha atenção por importuna-la com mais umas de minhas sandices e ela me surpreendeu com mais uma de suas respostas:
  - Não, pois quando eu for embora, quero levar tudo de bom que tenho nesta vida.
  E quando voltei a realidade, olhei seu rosto, agora calmo e sereno, dei um beijo em seus lábios ainda quentes e dei um último recado a ela com uma lágrima nos olhos.
  - Espere-me amor, estou a caminho, não aguentarei de saudades. Foram 50 anos ao seu lado.
  E assim, desfaleci ao seu lado, pronto para viver eternamente ao seu lado.