sábado, 8 de março de 2014
Uma análise de mim mesma.
Quando desgrudei os olhos da página amarela que eu lia e olhei para o relógio a minha frente levei um choque de realidade, um susto. Eu lia um livro que me levava a um lugar onde nunca estive, que me fez conhecer pessoas que não conhecia e tomar conhecimento de sentimentos os quais nunca tinha sentido. De novo, outro choque quando o telefone tocou e fui obrigada a parar de escrever, pensei por um instante se atenderia ou não por já saber do que se tratava a chamada.
Perdi longos minutos e poucas horas pensando se algum momento da minha vida a personagem se parecia comigo. Tive medo de descobrir. E eu me vi inserida àquela história fictícia procurando por uma Mariana que talvez pudesse estar ali, entre aquelas linhas.
Margo, a personagem, me fez entender a bobagem que é achar que as pessoas são algo além disso . Elas podem nos surpreender tanto para melhor quanto para pior, mas nunca saberemos de fato quem são, estão todas mudando, sempre. Podemos imaginar e mal interpretar todas elas, já que há bilhões no mundo, passamos por cima dos significados e do motivo para cada uma delas existir. O modo como as imaginamos é completamente diferente da maneira como elas são de verdade.
Cada sentimento é intrínseco e somos feitos de papel sempre que temos vontade de fazer algo mirabolante ao ponto de achar que desagradaria alguém e por isso, desistimos, abandonamos nossos planos, deixando com eles um pouco de nós para trás.
No fim, descobri que aquela personagem tinha um pouco de mim e eu um pouco daquela personagem. Ela era feita de papel. Frágil e dobrável. Assim como eu.
-M
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