Ela tinha um rosto feito para sorrir, ela sabia. Porém, todas aquelas insinuações,os julgamentos, todas aquelas lágrimas sem sal que desceram pelo rosto dela, apenas afogavam mais aquele dia fúnebre e cruel.
Ela perguntou várias, inúmeras vezes quem era ele, embora, no fundo já soubesse quem era o indivíduo dos olhos gelados. Olhos que, um dia, já a acolheu, a afagou, olhos que serviram de refúgio, para tantos problemas que aconteciam com ela. Aquela boca a qual a pobre menina inocente beijara e acariciara tantas vezes, a boca que fazia promessas, promessas que talvez não iriam se realizar mais, pois agora, não passava de uma boca indiferente. Os braços dele que carregaram tantas vezes o peso daquele saco vazio. Braços peludos que muitas vezes afanaram em busca de seu próprio prazer. Como pôde ?
Tempos se passaram e ele chorava, que amor leviano ele sentia, por uma garota que nem habitava mais aquele
monstruoso planeta, cercado de coisas terríveis, um mundo mentiroso, afanador de sonhos, caçador de corações.
O que a menina tinha ? O tal mundo em suas mãos. Mas ela não era forte o suficiente para acabar com aquela utopia, que no fundo, acabava com ela. Tantas incertezas ... é, aquilo a tornava cada vez mais confusa, mais perdida, mais frágil e cada vez menos inocente. Aquele mundo em que ela vivia era o mais perverso, com pessoas fingidas e era exatamente o que ela não sabia fazer ... fingir, ela sorria quando tinha que sorrir, chorava quando tinha que chorar, mas fingir, não fingia. Aquele não era o mundo dela, ela poderia transformá-lo e fazer daquele triturador de esperanças um bom lugar, mas teria, que abrir mão do que ela tinha de mais precioso, sua inocência. Ela era pura, como uma pétala de rosa intocada no mais bonito jardim. É, era exatamente isso que ela era, uma flor, intocada e pura, só que, descobriu tarde demais e o mundo a engoliu, sem a menor piedade.
Mariana Tavares

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